O Mito da pessoa multitarefas produtiva

Homem branco de cerca de 30 anos, de terno, num escritório, tentando ser multitarefas

Vivemos em uma era que romantiza o caos.

A pessoa “multitarefas” virou sinônimo de eficiência — alguém que consegue responder e-mails, ouvir podcasts, cozinhar, participar de uma reunião e ainda atualizar o LinkedIn, tudo em uma tacada só.

Mas há um pequeno problema com esse mito: O cérebro humano não foi projetado para isso!

Insistir em viver nesse modo frenético é como tentar equilibrar 10 pratos ao mesmo tempo, você pode até mantê-los por um período, mas quando não conseguir mais tudo desaba!

A ilusão de ser multitarefas

Fazer um monte de coisas ao mesmo tempo dá a sensação de produtividade porque faz você se sentir ocupado.

Mas, na prática, o que ela faz é dividir sua atenção e diluir seu desempenho.

A ciência é categórica quanto a isso.

Um dos estudos mais conhecidos, conduzido por Clifford Nass, professor de psicologia da Universidade de Stanford, acompanhou pessoas que se consideravam “boas multitarefas”.

O resultado foi devastador:

Essas pessoas não apenas eram piores em alternar tarefas, como também tinham mais dificuldade para filtrar informações irrelevantes e manter o foco.

Em outras palavras, quanto mais você tenta fazer ao mesmo tempo, menos o seu cérebro consegue priorizar o que realmente importa.

Outro estudo, publicado pela American Psychological Association (APA), mostrou que cada troca de foco — por exemplo, sair de um e-mail para checar o WhatsApp e depois voltar ao e-mail — gera o que eles chamam de switching cost (custo de troca).

Esse custo pode reduzir sua produtividade em até 40% e aumentar o tempo total de execução de uma tarefa simples em até o dobro.

Em resumo: Ser multitarefas é o equivalente cognitivo de tentar correr com patins nos pés — muito esforço e pouco deslocamento.

🔬 O cérebro não multitarefa — ele comuta

Muitos ainda acreditam que conseguem “fazer duas coisas ao mesmo tempo”, mas o que o cérebro realmente faz é comutar rapidamente entre tarefas.

Essa alternância constante exige energia mental e ativa regiões diferentes do córtex pré-frontal, responsáveis por foco e decisão.

E, quando você alterna demais, o cérebro entra em fadiga cognitiva — um estado em que tudo parece mais difícil, a mente dispersa e o cansaço chega antes da hora.

É como tentar trabalhar com dezenas de janelas abertas: você gasta mais tempo tentando lembrar onde estava do que, de fato, produzindo algo útil.

Multitarefas na vida real: o show da distração disfarçada de eficiência

Vamos sair da teoria.

Aqui estão alguns exemplos de “multitarefismo” moderno que parecem produtivos — mas na verdade são armadilhas de autoengano:

1️ O “e-mail enquanto reunião”

Você abre o e-mail enquanto alguém fala na reunião do Zoom.
Acha que está otimizando o tempo, mas depois percebe que não prestou atenção na mensagem nem na reunião.
Resultado: você terá que ler o e-mail de novo e pedir para alguém resumir o que foi dito.
Dois retrabalhos pelo preço de um.

2️ O “podcast enquanto responde mensagens”

Parece uma boa ideia, até perceber que você não absorve nem o conteúdo do podcast nem responde direito as mensagens.
O cérebro precisa escolher: ou entende o que está sendo dito, ou pensa no que vai dizer.

3️ O “scroll infinito no celular enquanto estuda ou trabalha”

Você promete só “dar uma olhadinha rápida” no Instagram entre uma planilha e outra.

O problema é que a dopamina gerada pelo feed reinicia seu foco, e leva cerca de 20 a 25 minutos para recuperar a concentração plena, segundo estudos da Universidade da Califórnia (Irvine).

Ou seja, cada “olhadinha” custa quase meia hora de produtividade.

4️ O “dirigir enquanto fala ao celular”

Mesmo com viva-voz, estudos mostram que a distração cognitiva reduz o tempo de reação tanto quanto dirigir alcoolizado.

Você está presente fisicamente, mas ausente mentalmente — o que, no trânsito, é uma combinação perigosa.

 

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O paradoxo da produtividade moderna

A multitarefa cria uma ilusão reconfortante: a de que você está fazendo muito.

Mas confundir movimento com progresso é um erro clássico.

Você pode estar correndo o dia inteiro — e ainda assim, não sair do lugar.

O verdadeiro trabalho produtivo é intencional, não frenético.

É escolher uma tarefa, mergulhar nela e só então passar para a próxima.

A produtividade moderna não é sobre velocidade — é sobre profundidade.

A alternativa: monotarefa

A monotarefa — fazer uma coisa por vez — é quase um ato de rebeldia na era das notificações.

Mas é também o caminho mais curto para resultados melhores e uma mente mais tranquila.

Veja o contraste:

Multitarefa Monotarefa
Foco disperso Foco profundo
Cansaço mental constante Energia mais estável
Superficialidade Qualidade
Muito esforço, pouco resultado Menos esforço, mais impacto
Sensação de pressa Sensação de presença

Como praticar o foco real

  1. Bloqueie as distrações deliberadamente.
    Desligue notificações, coloque o celular longe e defina blocos de foco de 25 a 50 minutos (Técnica Pomodoro).
  2. Faça pausas conscientes.
    Não confunda descanso com distração. Pausar é recuperar energia, não fugir dela.
  3. Tenha prioridades claras.
    Escolha três tarefas essenciais por dia — não trinta. O cérebro humano foi feito para priorizar, não acumular.
  4. Cuide do seu ambiente mental.
    Bagunça gera ruído cognitivo.
    Ambientes organizados e silenciosos ajudam a manter o foco e diminuem a ansiedade.

O novo símbolo da produtividade

Durante décadas, produtividade foi medida por volume: fazer mais, entregar mais, parecer mais ocupado.

Hoje, o verdadeiro diferencial está em quem faz com intenção e presença.

O profissional produtivo não é o que faz mil coisas ao mesmo tempo.

É o que faz a coisa certa, na hora certa, da maneira certa.

Conclusão

Ser multitarefas não é um superpoder — é um vício moderno, alimentado pela pressa e pela dopamina das notificações.

A ciência já provou: não existe produtividade multitarefa, só dispersão mascarada de eficiência.

O desafio é reaprender a fazer uma coisa de cada vez.

Porque, no fim das contas, foco é o novo luxo — e quem o domina, domina o tempo.

💡 Em uma frase:

A multitarefa é o mito que vende velocidade e entrega confusão.

A monotarefa é o hábito que traz clareza e foco, e com ela, resultados reais.

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